segunda-feira, 19 de março de 2012

Ulianópolis cobra do Incra liberação de áreas para assentar sem-terra

INVASÕES
Fazendeiros dizem que demora incentiva ocupação de áreas produtivas
O município de Ulianópolis, no sudeste do Pará, tem várias áreas da União prontas para assentar famílias. No entanto, de acordo com lideranças rurais da região, os lotes ainda não foram ocupados porque o Incra não liberou as áreas para o remanejamento de famílias que hoje ocupam, irregularmente, propriedades privadas situadas na cidade. De acordo com pecuaristas e fazendeiros de Ulianópolis, a demora do Incra em liberar as terras públicas para a reforma agrária fomenta e incentiva a invasão de propriedades rurais. "A União tem muita terra aqui na região que os sem-terra não invadem. Por que será que eles só preferem as propriedades rurais que são produtivas?", indaga o pecuarista João Ferreira.
Em contato com a reportagem na tarde de sexta-feira, 16, o agricultor Bernardo Silva, presidente da associação dos produtores rurais da comunidade Areia Branca, situada na zona rural de Ulianópolis, afirma que cerca de 120 famílias que hoje ocupam irregularmente a invasão denominada "Califórnia", no município de Dom Eliseu, aguardam apenas um posicionamento do Incra para se mudarem para uma área da União situada em Ulianópolis, denominada Paragominas Faiscão. "Estas famílias invadiram uma área de forma irregular e hoje estão impedidos pelo Incra de ocuparem terras públicas", diz Bernardo. De acordo com uma fonte do Incra, a autarquia prepara várias vistorias e a liberação da documentação para que as terras da União situadas em Ulianópolis sejam destinadas à reforma agrária.
Enquanto o impasse não se resolve, fazendeiros da região esperam o cumprimento de mandados de reintegração de posse deferidos pela Vara Agrária de Marabá, em propriedades invadidas há vários anos. Por outro lado, prossegue tramitando na Justiça um processo que apura o envolvimento de funcionários públicos do município na chamada "Indústria da Invasão". São pessoas que possuem uma ou mais residências dentro da zona urbana da cidade e que invadem e ocupam propriedades particulares para fins estranhos à reforma agrária.

Nenhum comentário: