sexta-feira, 30 de março de 2012

Jovem agredida em Portugal é de capanema

O amanhecer daquele dia foi surpreendente com a notícia da jovem brasileira agredida pelo noivo de sua mãe, na cidade de Lisboa, capital de Portugal. A surpresa foi ainda maior quando a notícia veiculou que a jovem agredida é Paraense. 

As surpresas aumentaram e a imprensa brasileira está dando ênfase ao lamentável acontecimento. Ao recebermos matérias de várias fontes noticiosas, constatamos que a jovem Erillen Gaia, de 21 anos é natural de Capanema. 

Eron Xabregas, irmão da paraense Erillen Gaia, de 21 anos, internada em estado grave em um hospital público de Lisboa após ser agredida pelo noivo da mãe, embarcou para Portugal na tarde desta quarta-feira (28). 

Erillen Gaia e Ester Xabregas, 43 anos, foram agredidas a facadas pelo noivo de Ester, Bruno Almeida, de 47 anos. Ele desferiu contra as duas vários golpes de faca. Em Erillen, ele ainda bateu na cabeça com um martelo de cozinha na jovem, que foi morar com a mãe em Lisboa, há três meses.

Segundo o jornal Português, Correio da Manhã, Bruno Almeida já teria agredido uma ex-mulher na França e então fugido para Portugal. Ele foi apresentado no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.

Em nota, o consulado geral em Lisboa disse estar ciente do caso e o setor de assistência consular do Ministério das Relações Exteriores entrou em contato com o parente das brasileiras, em Belém, para colher mais informações e prestar o apoio cabível.

Por @Dyah_editor

Demóstenes usou cargo de senador para beneficiar Cachoeira


Novas gravações da Polícia Federal mostram que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) colocou o mandato e o prestígio de parlamentar a serviço de negócios de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso por chefiar a exploração ilegal de caça-níqueis e outros jogos em Goiás.Nas escutas, Demóstenes acerta com Cachoeira táticas que vão da interferência em processo judicial ao lobby pela legalização dos jogos de azar no Congresso Nacional.

Nos diálogos, o senador trata ainda de nebulosos negócios na Infraero no período em que a estatal estava sob o comando do brigadeiro José Carlos Pereira, e Demóstenes era o relator da CPI do Apagão Aéreo. Em outros trechos das gravações, Demóstenes pede dinheiro a Cachoeira para pagar despesas com táxi-aéreo, no valor de R$ 3 mil

As conversas foram gravadas pela Polícia Federal, durante a Operação Vegas, ao longo de 2009. Num dos diálogos, interceptado às 14h41m de 22 de junho de 2009, o senador pede que Cachoeira pague o frete de um avião da Sete, empresa de táxi-aéreo. O contraventor já cobra a conta na mesma conversa e pede ao senador que interceda num processo judicial que estava no gabinete do desembargador Alan Sebastião de Sena Conceição, do Tribunal de Justiça de Goiás. O processo estava relacionado a um delegado e três agentes da Polícia Civil de Anápolis acusados de tortura e extorsão.

- Por falar nisso, tem que pagar aquele trem do Voar. Do Voar, não, da Sete, né? - pede Demóstenes.

- Tá, tu me fala aí. Eu falo com o... com o Vilnei. Quanto foi lá? - concorda Cachoeira.

Favor em troca de dívida

O senador informa que a despesa é de R$ 3 mil. Cachoeira diz que vai mandar um auxiliar quitar a dívida e imediatamente encomenda um serviço especial ao parlamentar.

- Deixa eu te falar. Aquele negócio (processo) tá concluso aí, aquele negócio do desembargador Alan, você lembra? A procuradora entregou aí para ele. Podia dar uma olhada com ele. Você podia dar um pulinho lá para mim? - diz Cachoeira.

O senador pergunta sobre um detalhe do caso e aceita a missão.

- Tá tranquilo. Eu faço - diz Demóstenes.

Os dois já tinham acertado formas de interferir no processo em conversas anteriores. Nos diálogos, em que Demóstenes chama Cachoeira de “Professor” e é tratado pelo amigo de “Doutor”, o senador relata ao contraventor o resultado de uma reunião que tivera pouco antes com o magistrado.

- Fala, Professor. Acabei de chegar lá do desembargador. O homem disse que vai olhar o negócio e tal - confidencia o senador, numa conversa interceptada às 16h39m de 6 de abril de 2009.

Cachoeira quer saber se o julgamento será rápido, e o senador confirma.

- Vai julgar rápido. Mandou pegar o papel, já pegou o... negócio lá. Diz que vai fazer o mais rápido possível - avisa Demóstenes.

Num diálogo, gravado em 22 de abril de 2009, o contraventor manda o senador fazer um levantamento sobre o projeto de lei 7.228, relacionado a jogos de azar, e dois dias depois cobra uma posição de Demóstenes. E até pede que ele fale com o então presidente da Câmara, Michel Temer, hoje vice-presidente da República. O senador promete ajudar e diz que vai tentar fazer com que o plenário da Câmara vote a proposta, o que não aconteceu.

- Anota uma lei aí. Você podia dar uma olhada. Ela tá na Câmara. 7.228 2002. PL (projeto de lei) - orienta Cachoeira.

O senador obedece, pede mais informações, anota e aceita a tarefa.

- Vou levantar agora e depois te ligo aí - promete.

Em outras conversas, o senador, que sempre alegou desconhecer atividades ilegais de Cachoeira, alerta que o texto, na forma em que se encontrava, poderia prejudicar o contraventor.

- Regulamenta, não (as loterias estaduais). Vou mandar o texto procê. O que tá aprovado lá é o seguinte: “transforma em crime qualquer jogo que não tenha autorização”. Então inclusive te pega, né? Então vou mandar o texto pra você. Se você quiser votar, tudo bem, eu vou atrás. Agora a única coisa que tem é criminalização, transforma de contravenção em crime, não regulariza nada - avisa Demóstenes.

Cachoeira discorda e acalma o senador.

- Não, regulariza, sim, uai. Tem a 4-A e a 4-B. Foi votada na Comissão de Constituição e Justiça - diz.

Uma outra conversa, gravada em 4 de abril de 2009, revela que o senador e o contraventor estão de olho em um milionário “negócio” em andamento da Infraero. Um dos intermediários na transação seria Dadá, o sargento da reserva da Aeronáutica Idalberto Matias Dadá, um dos presos na Operação Monte Carlo. Demóstenes teria usado a autoridade de relator de uma CPI para levantar informações e prospectar contratos de informática na estatal.

- O negócio da Infraero, conversei com a pessoa que teve lá. Disse o seguinte: o nosso amigo marcou um encontro com ele em uma padaria, não sei o quê. E levou o ex-presidente (José Carlos Pereira, da Infraero), cê entendeu? E que aí o trem lá não andou nada. Eles nem sabem o que tá acontecendo - confidencia Demóstenes.

Cachoeira ordena, então, que o senador faça o serviço.

- Mas tem que ser você mesmo. Você que precisava ligar para ele.

 Pereira confirmou que teve três encontros com Demóstenes em 2009 e reforçou as acusações contra o senador, dizendo que o político estava interessado nos contratos da área de informática da Infraero.

Houve uma época, durante a CPI (do Apagão Aéreo), eu senti que o Demóstenes poderia estar interessado em assuntos muito internos da Infraero, principalmente ligados à área de informática. E eu cortei na raiz. Eram licitações - disse o brigadeiro.

O desembargador Alan Sebastião confirma que tratou do caso dos policiais torturadores, mas diz que não se lembra se recebeu Demóstenes em seu gabinete. Ele alega que muita gente vai ao gabinete dele pedir “carinho” na análise de processos.

- Mas, se você for escrever alguma coisa, escreva que meu voto foi pela manutenção da condenação dos policiais - disse o desembargador.

Michel Temer disse que, em nenhum momento, foi procurado por Demóstenes para tratar de projetos relacionados a jogos.- informações de O Globo-


Informações do blog

O destino do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) está por um fio. Ou melhor, depende do teor das gravações de suas conversas com o contraventor Carlos Cachoeira, preso pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo. No Senado, onde corre o risco de sofrer um processo de cassação por quebra de decoro, tanto os adversários como aliados esperam apenas que os documentos cheguem ao conhecimento da Casa para tomar providências nessa direção.

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que foi duramente atacado por Demóstenes no caso dos atos secretos, já deu sinais de que não moverá uma palha por ele. O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), procurado pelo senador goiano em busca de solidariedade, disse-lhe poucas e boas. Renan, que renunciou ao comando do Senado para não ser cassado, também não esqueceu os discursos de Demóstenes.

A cúpula do DEM já afia a guilhotina para cortar a cabeça de Demóstenes, assim como fez com o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda. O desconforto é enorme e não será surpresa se os caciques da legenda resolverem expulsá-lo do partido. Demóstenes está só.

terça-feira, 27 de março de 2012

Feliz aniversário ao Vereador Prof. Edson Farias do PT

       Siga: @edsonfarias13  
O tempo passa rápido e muitas vezes estamos tão ocupados, vivendo momentos, que acabamos esquecendo que dele depende nosso futuro… 

Viva esta fase maravilhosa da sua vida com sabedoria.  Busque caminhos novos, lute por seus ideais, mostre sua cara de alegria ou de tristeza.  Mas faça tudo isso, sabendo que as coisas que realizamos hoje, independentes de serem boas ou não, causarão efeitos no nosso amanhã. Por isso, viva sempre em busca do que for melhor para você…

Estarei torcendo para que tenha uma vida inteira de muitas realizações e que você consiga todas as coisas que seu coração deseja. Que esse aniversário lhe traga muita alegria...  Parabéns pelos 40 anos de vida...

segunda-feira, 26 de março de 2012

Quatro da mesma família morrem vítimas de raio

Quatro pessoas de uma mesma família morreram ontem, um homem e três adolescentes, após serem atingidas por um raio, em Itabocal, localidade que fica a 10 km da cidade de Irituia, no nordeste paraense.
Segundo Jorge Caio, morador do município, as quatro pessoas estavam embaixo de um piquiazeiro, colhendo os frutos da árvore, quando o raio caiu, durante a forte chuva da tarde deste domingo (25). O incidente aconteceu por volta das 16h, e as vítimas chegaram a ser levadas para o hospital da cidade, mas já chegaram sem vida.
Após a constatação do óbito, os corpos foram liberados. “O raio caiu por volta de 16h e atingiu as quatro pessoas, sendo um homem de 30 anos e três mulheres, uma de 15, 14 e 13 anos, que morreram na hora”, disse Jorge.
Ainda segundo o morador, uma criança de 7 anos que estava com o grupo, também foi atingida, mas sofreu uma descarga leve. Após passar por uma avaliação médica, foi liberada.
O DIÁRIO tentou conseguir mais informações com o Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, o Corpo de Bombeiros e o Hospital Municipal de Irituia, mas até o fechamento desta edição, não os nomes das vítimas não haviam sido informados

Taça Estado do Pará – 5ª Rodada

 


Confira a 5ª rodada da Taça Estado do Pará:
Sábado                                                                       Domingo
Águia 3 x 0 Cametá                                                      Remo 0 x 0 Paysandu
Independente 1 x 3 São Raimundo                                São Francisco 2 x 0 Tuna Luso
Próxima rodada
28/03 – 20h30 Paysandu x Independente
28/03 – 20h30 Cametá x São Raimundo
28/03 – 20h30 São Francisco x Águia de Marabá
29/03 – 20h30 Tuna Luso x Remo

Servidores do Estado começam a receber hoje

 

Começa hoje (26) o pagamento dos servidores públicos, das administrações direta e indireta, referente ao mês de março. Segundo o cronograma divulgado pela Sead, os inativos militares e pensionistas civis e militares serão os primeiros a receber. O pagamento será encerrado na sexta-feira (30), com os servidores da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), da capital e do interior.
CRONOGRAMA DE PAGAMENTO
MARÇO DE 2012
Dia 26 – Inativos militares e pensionistas civis/militares
Dia 27 – Inativos civis e pensões especiais/Sead
Dia 28 – Auditoria, Casa Civil, Casa Militar, Consultoria Geral, Defensoria Pública, Gabinete da Vice-governadoria, Procuradoria Geral, NAF, NGTM, Secretarias Especiais, Sepaq, Secti, Sead, Sefa, Sepof, Sagri, Sema, Secult, Seidurb, Seel, Seicom, Sejudh, Seop, Sespa, Seter, Seas, Setran e Secom
Dia 29 – Bombeiros, Polícia Civil, PM, Segup, Adepará, Arcon, Asipag, CDI, Ceasa, Cohab, CPC Renato Chaves, Detran, EGPA, Emater, FCG, FCPTN, FCV, Fasepa, Funtelpa, Fapespa, Hospital de Clínicas, Hospital Ophir Loyola, Fundação Hemopa, IAP, Imetropará, Iasep, Igeprev, IOE, Iterpa, Jucepa, Paratur, Prodepa, Santa Casa, Susipe, Uepa, Ideflor, Idesp e Loterpa
Dia 30 – Seduc – capital e interior

Policiais civis e militares capturam assaltantes na Rodovia Belém-Brasília

 

Polícia Civil
Parte da carga recuperada pelos policiais, após a prisão de dois membros da quadrilha de assaltantes

 
Dois membros de uma quadrilha de assaltantes estão presos em Paragominas, município do nordeste do Pará, após envolvimento no roubo de uma carga de cigarros de propriedade da empresa Souza Cruz, em Ulianópolis (município vizinho), na Rodovia BR-010 (Belém/Brasília), no último dia 20, segundo informações divulgadas pela Polícia Civil nesta sexta-feira (23).
Os maranhenses José Wilson de Matos Mourão, 40 anos, de apelido “Zé Wilson”, e José de Abreu Sousa, 28 anos, foram capturados durante operação integrada das Polícias Civil e Militar. Durante a operação, parte da carga roubada e três veículos usados pelos acusados foram apreendidos. A captura da quadrilha foi um trabalho da equipe da Polícia Civil, comandada pelo delegado José Ricardo Oliveira, superintendente da Região Guajarina, e da Polícia Militar, sob comando do sub-tenente Roberto, do 19º Batalhão da PM de Paragominas.
O roubo aconteceu por volta de 7h30. Dentre os presos, José Wilson, que reside em Açailândia (MA), já estava com mandado de prisão preventiva decretado pela Justiça do Maranhão, sob acusação de assalto. José de Abreu Sousa mora na localidade de Amapá do Maranhão, e também já havia sido preso em Junco do Maranhão, por roubo de moto. Os dois foram localizados pelas equipes policiais em menos de uma hora após o crime, ainda na Rodovia Belém/Brasília, próximo a Ulianópolis.
A dupla estava em um veículo Corsa azul, placa HPL-9120, de Açailândia. O carro foi usado pelos assaltantes para render a equipe de escolta e os ocupantes do veículo usado no transporte da carga. Após transferir os produtos para o Corsa e outros veículos, a quadrilha fugiu pela rodovia, enquanto a polícia era acionada. As equipes policiais se dividiram em busca dos acusados.
Na perseguição, após a prisão da dupla, os policiais conseguiram, ainda na BR-010, apreender um Pálio prata, placa NWS-0680, de Caxias (MA). O veículo foi abandonado pelos acusados durante a abordagem ao veículo de transporte de carga. Outra equipe de policiais civis da 13ª Seccional Urbana de Paragominas, comandada pelo delegado Alberone Lobato, trocou tiros com outros integrantes da quadrilha, às proximidades do município.
Durante a fuga, os acusados abandonaram um carro Celta preto, com placa de São Luís (MA), também usado para roubar a carga. As equipes policiais conseguiram encontrar parte da carga, escondida no matagal às margens da rodovia, a cerca de 25 quilômetros de Ulianópolis. As investigações prosseguem para localizar e capturar os demais envolvidos no assalto.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Chico Anysio morre aos 80 anos

Morreu às 14h52 desta sexta-feira (23), aos 80 anos, o humorista Chico Anysio. Ele estava internado no Hospital Samaritano, na Zona Sul do Rio, havia três meses. Ao longo de seus 65 anos de carreira, Chico Anysio criou mais de 200 personagens e foi um dos maiores humoristas do Brasil com destaque no rádio, na TV, no cinema e no teatro (abaixo, nesta reportagem, relembre sua trajetória). Ele deixa oito filhos.

Anysio apresentou uma piora nas funções respiratórias e renal na quarta-feira (21) e voltou a respirar com ajuda de aparelhos durante todo o dia. Ele estava no CTI do hospital carioca desde 22 de dezembro do ano passado por conta de um sangramento. O comediante chegou a ter o problema controlado, mas apresentou uma infecção pulmonar e retornou à internação. Ele seguia em sessões de fisioterapia respiratória e motora diariamente, somadas a antibióticos.

O ator também foi submetido a uma laparotomia exploradora, procedimento cirúrgico que serve para revelar um diagnóstico. Essa cirurgia fez com que Chico Anysio tivesse um segmento de seu intestino delgado retirado.

No final de 2010, ele foi levado ao mesmo hospital com falta de ar. Após uma obstrução da artéria coronariana ser encontrada, passou por uma angioplastia, procedimento para desobstrução de artérias. Após 110 dias, teve alta em março do ano passado.

Com fortes dores nas costas, o humorista foi novamente internado em novembro. Ficou no hospital durante cinco dias, para receber medicação intravenosa devido a problema antigo nas vértebras que provocava dor. No fim de novembro, teve febre e os médicos descobriram uma contaminação por fungos, tratada com antibióticos. No começo de dezembro, retornou ao hospital com infecção urinária e ficou internado por 22 dias. Um dia depois, voltou ao Hospital Samaritano.

Nos momentos mais críticos, quando esteve no hospital entre dezembro de 2010 e março de 2011, Chico necessitou da ajuda de aparelhos para respirar e se comunicava com médicos e familiares por meio de mímica. Durante o período pós-operatório, houve o diagnóstico de um tamponamento cardíaco, que acontece quando o sangue se acumula entre as membranas que envolvem o coração (pericárdio).

Durante o período de internação, que alternou momentos no CTI e em unidades intermediárias, Chico Anysio apresentou quadros de pneumonia e passou por sucessivas broncoscopias. As infecções foram tratadas com uso de antibióticos.

Antes, em agosto de 2010, o humorista precisou ser internado para a retirada de parte do intestino grosso após ser constatado um quadro de hemorragia no aparelho digestivo. Em maio de 2009, outra pneumonia o levou ao hospital.
Foi no Rádio Guanabara, ainda nos anos 50, que os seus tipos cômicos começaram a surgir. Até o “talento para imitar vozes”, como o próprio Chico descreveria em seu site, evoluir para a televisão. A estreia aconteceu em 1957, na extinta TV Rio, no programa “Aí vem dona Isaura”. Foi lá que o Professor Raimundo teve sua primeira aparição no vídeo, como o tio da protagonista que vinha do Nordeste — até então o programa só havia sido veiculado pelo rádio.

“Até tinha uma coisa de sentar para criar, mas uns nasceram pela voz, outros pelo tipo, pela personalidade, pela caracterização. Sempre fiz questão de que eles fossem encontrados sem que eu estivesse presente. Que alguém dissesse: "'Na minha terra, tem um Pantaleão. No Rio tem muito Azambuja’”, explicou o humorista ao “Estado de S. Paulo”, em 2009.

Num tempo em que ainda não existiam contratos de exclusividade, Chico pôde fazer participações especiais em programas de outras emissoras e em chanchadas da Atlântida.

O “Chico Anysio Show”, seu primeiro programa de humor, foi lançado no início da década de 60. Foi ao ar pela TV Rio, depois pela Excelsior e em 1982 voltou a ser exibido pela Rede Globo — onde o humorista já trabalhava desde 1969.
Mas foi na Globo que teve seus programas humorísticos de maior sucesso e onde desenvolveu a maioria de seus personagens. Entre as atrações, destaque para “Chico city” (1973-1980), “Chico total” (1981 e 1996) e “Chico Anysio show” (1982-1990).

Alguns desses personagens quase que se misturam à história da televisão brasileira, como o ator canastrão Alberto Roberto, o pão-duro Gastão Franco, o coronel Pantaleão, o pai-de-santo Véio Zuza, o velhinho ranzinza Popó, o alcoólatra Tavares e sua mulher Biscoito (Zezé Macedo) e o revoltado Jovem.

Com o passar dos anos, novos tipos eram criados e incorporados ao programa: o funcionário da TV Globo Bozó, que tentava impressionar as mulheres por conta de sua condição; o mulherengo e bonachão Nazareno, sempre de olho nas serviçais; o político corrupto Justo Veríssimo; e o pai de santo baiano e preguiçoso Painho são alguns dos mais populares.

Apresentada como quadro em outros programas desde a década de 1980, a “Escolinha do Professor Raimundo” tornou-se uma atração independente em 1990. No ar até 2002, o humorístico lançou toda uma geração de comediantes. Entre os “alunos” revelados pelo “professor Chico” estão Claudia Rodrigues, Tom Cavalcante e Claudia Gimenez.

Chico também atuou em novelas e especiais da Globo, como “Pé na jaca” (2007), “Sinhá Moça” (2006), “Guerra e paz” (2008) e “A diarista” (2004). Chico Anysio também teve um quadro fixo no Fantástico por 17 anos (de 1974 a 1991), e supervisionou a criação no programa “Os Trapalhões” no início dos anos 90.
A incursão mais recente de Chico Anysio no cinema foi como dublador. É dele a voz do protagonista da animação “Up - Altas aventuras", animação do estúdio Pixar. Antes disso, o humorista fez uma participação especial no recordista de bilheteria “Se eu fosse você 2” (2008), de Daniel Filho. “Nos créditos finais fiz questão de colocar ‘senhor Francisco Anysio’. Ele é um astro, merece ser tratado com toda reverência”, explicou o diretor em entrevista ao G1 durante o lançamento do longa.

Em 1996, o humorista interpretou o personagem Zé Esteves, pai da personagem-título, em “Tieta”, de Cacá Diegues. O trabalho coincidiu com o aniversário de 25 anos da estréia de Chicono cinema, na pornochanchada "O doce esporte do sexo". Antes havia participado de comédias como "Mulheres à vista" e "Cacareco vem aí".

Em 2011, em sua última aparição pública, recebeu o prêmio especial do Júri do Festival do Rio pelo seu desempenho no longa “A hora e a vez de Augusto Matraga”, do diretor Vinícius Coimbra.

"O filme é importantíssimo, a obra é linda. Vinícius realizou algo quase inacreditável. É um filme que, tenho certeza, Sergio Leone assinaria com alegria", destacou o bem humorado Chico, que fez questão de receber o Troféu Redentor pessoalmente, mesmo de cadeira de rodas.

Literatura e artes plásticas

Além de se dedicar ao humor, Chico também foi artista plástico. Apaixonado pela pintura, retratou paisagens ao redor do mundo a partir de fotografias que tirava dos países que visitava. Realizou exposições de seus quadros em diversas galerias do Brasil e chegou a afirmar que gostaria de ter dedicado mais tempo à atividade.

“Porque teria tido mais tempo para aprender, para melhorar. Teria mais tempo para me tornar conhecido e aceito, para vender meus quadros por um preço melhor. Cheguei a admitir que a pintura seria meu emprego da velhice, mas não vai ser, porque ninguém está comprando nada de obra de arte, e pintar para guardar é terrível”, disse em entrevista à “Folha de S. Paulo”, em 2007. Foi autor de 21 livros, tendo publicado vários best-sellers na década de 70, como "O Batizado da vaca", "O telefone amarelo" e "O enterro do anão". Sua última publicação foi “O canalha”, lançada em 2000.

“É a história do cara que participou de todos os governos, desde Eurico Gaspar Dutra até o primeiro mandato de Fernando Henrique. Foi ele o responsável por todas as canalhices que ocorreram de lá para cá, como dar um revólver de presente a Getúlio Vargas”, explicaria o escritor Chico Anysio em entrevista à revista “Época”, no mesmo ano.

Outra de suas obras de destaque na literatura é o bem humorado manual “Como segurar seu casamento”, também de 2000. Na época, advertiu os leitores: “Não dou conselhos, transmito os erros que cometi e foram cometidos em cinco casamentos. Conviver é a arte de conceder. Essa troca de concessões gera a convivência harmônica”, comentou.

Carreira esportiva

Caçula de oito irmãos, Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho nasceu no dia 12 de abril de 1931, no município de Maranguape, no Ceará. A cidade constantemente era citada de forma saudosa pelo humorista – seu personagem mais popular, o Professor Raymundo, era de lá.

“Maranguape, cidade de que tanto falo, representa uma grande saudade. Foi um pequeno paraíso, o Éden da minha infância durante gloriosos anos. Foi lá que aprendi a ler sozinho”, escreveu o humorista em seu site oficial.

Aos 7 anos mudou-se para o Rio de Janeiro, após a falência da empresa de ônibus da família. Morador do Catete, contrariou a vontade do pai e do irmão mais velho — botafoguenses convictos — e se tornou vascaíno. Sonhava em ser jogador de futebol.

Mas a carreira esportiva logo foi esquecida, quando Chico passou em testes para ser locutor e ator da Rádio Guanabara. Ele ficou em segundo lugar, perdendo apenas para Silvio Santos.

Nos anos 50, também trabalhou nas rádios Mayrink Veiga, Clube de Pernambuco e Clube do Brasil. Foi na primeira que criou o programa que se tornaria um de seus maiores sucessos, "Escolinha do Professor Raymundo", inicialmente composta por três alunos: Afrânio Rodrigues (o que sabia tudo), João Fernandes (o que não sabia nada) e Zé Trindade (o que embromava o professor).

Apesar da tentativa de se tornar um galã de radionovelas, sua veia humorística se destacava desde o início. “A rádio Guanabara descobriu meu jeito para imitar vozes. Neste dia perdi minha chance de ser um Tarcísio Meira”, contou o comediante em seu site. Foi assim que começou a compor os mais de 70 tipos cômicos que marcariam sua carreira.

Casamentos e filhos

O primeiro de seus casamentos foi aos 22 anos, com a atriz Nancy Wanderley. Depois foi a vez de Rose Rondelli. Sobre a união com a cantora e ex-frenética Regina Chaves, dizia mal se lembrar. Já com Alcione Mazzeo, rompeu a relação por conta de um ensaio nu. Mas foi seu matrimônio com a ex-ministra da Economia do governo Collor, Zélia Cardoso de Mello — com quem teve dois filhos — que provocou mais polêmica. "Passou a ser uma pessoa de meu desagrado total. Fui um biombo para ela”, disse Chico à revista “Isto É”, em outubro de 2000.

Antes, porém, teve seis filhos, entre eles os atores Lug de Paula (famoso por interpretar o Seu Boneco, da “Escolinha do Professor Raimundo”), Nizo Neto (o Seu Ptolomeu, do mesmo programa, também dublador) Bruno Mazzeo (ator e roteirista). Chico também era tio do ator Marcos Palmeira, filho do cineasta Zelito Vianna, irmão do humorista; e da atriz Maria Maya, filha de Cininha de Paula, sobrinha do humorista.

Em novembro de 2009 foi agraciado com a Ordem do Mérito Cultural, a mais alta comenda do governo brasileiro na área. Da vida, dizia levar apenas um arrependimento: “Me arrependo enormemente de ter fumado durante 40 anos.”

Mostra Camillo Vianna leva ciência, tecnologia e cultura ao interior do Estado



O município de Marabá, no sudeste paraense, recebe nos dias 26 e 27 de março a Mostra de Ciência e Cultura Camillo Vianna, projeto itinerante promovido pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), que tem como objetivo aproximar os alunos paraenses do universo da ciência, tecnologia e cultura. 

A programação será realizada na Escola Estadual Dr. Geraldo Mendes de Castro Veloso, localizada no bairro Belo Horizonte, e contará com minicursos, oficinas, palestras e exposições interativas, além de atividades culturais.

Voltada especialmente a estudantes do ensino fundamental, médio e profissional, desde 2009, quando foi criada, a Mostra congrega ações voltadas à popularização da ciência, da tecnologia e da arte, sobretudo no interior do Estado. De acordo com o diretor de Ciência e Tecnologia da Secti, Geraldo Narciso Filho, até o fim deste ano 12 municípios deverão receber a Mostra. Além de Marabá, outros sete municípios receberão as programações ainda neste primeiro semestre.

“É fundamental nós sairmos da capital. Em Belém nós já temos no mês de outubro a Feira Estadual de Ciência e Tecnologia, durante a Semana Nacional de Ciência. Além disso, também existe uma série de outras ações, que beneficiam bastante o público. Por isso, este ano buscamos cidades polos, para que a partir delas possamos disseminar o conhecimento sobre ciência e tecnologia”, explica Geraldo Filho.

Calendário – Nos dias 29 e 30 de março será a vez de Conceição do Araguaia, no sul do Pará, receber a programação. Em abril, a Mostra Camillo Vianna chegará a Soure, no Arquipélago do Marajó, nos dias 12 e 13, e a Terra Alta, no nordeste paraense, em 26 e 27. Em maio, serão contemplados Capanema, nos dias 10 e 11, e Paragominas (14 e 15). A programação do primeiro semestre encerra em junho, quando a mostra será realizada nos municípios de Moju, nos dias 14 e 15, e Abaetetuba, em 28 e 29.

Toda a programação é gratuita e aberta à comunidade do município. A previsão é atingir pelo menos de 20 mil estudantes em todo o Estado.

A cada ano a Mostra recebe o nome de uma personalidade da área científica ou educacional com atuação de destaque no Pará. Em 2012, o médico e ecologista Camillo Vianna foi o escolhido, por sua contrubuição à educação ambiental, à reanimação cultural e à valorização das pessoas e dos vários ecossistemas nos municípios paraenses.

As mostras são viabilizadas com o apoio de instituições de pesquisa, além de organizações governamentais e não-governamentais, como a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Universidade do Estado do Pará (Uepa), Universidade Federal do Pará (UFPA), Parque de Ciências e Associação Agroecológica Iara.

MPT investiga empresa de bauxita


Atendendo queixas relacionadas à saúde dos operadores de equipamentos utilizados na escarificação de bauxita, em Paragominas, o Ministério Público do Trabalho (MPT) divulgou ontem, uma visita, feita no início deste mês, a empresa Mineração Paragominas S. A., que atua na extração de bauxita, no Sudeste do Estado.

Uma equipe formada por um procurador do trabalho, um perito e um técnico especializado investigou as denúncias, que incluíam ainda o não pagamento de percentuais de insalubridade aos trabalhadores.

Realizada com o uso de um trator de esteira, a escarificação de bauxita é alvo frequente de queixas dos funcionários que operam o equipamento que reclamam de dores lombares.


Dispondo de 483 operadores em seu quadro funcional, dos quais 173 estão aptos a operar equipamentos para a escarificação de bauxita, foi sugerido à mineradora o estabelecimento de um critério objetivo para limitar o tempo de trabalho na atividade. A fiscalização do MPT verificou também alguns pontos que poderiam ser melhorados no Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional da empresa, no qual não constavam exames médicos de monitoramento de possíveis patologias lombares ou lesões na coluna vertebral. Dentre as recomendações feitas pela equipe do Ministério está a adoção de medidas de prevenção de lombalgias e a elaboração de um laudo técnico de insalubridade.

Segundo a assessoria do MPT, de modo geral, a empresa possui instalações adequadas disponíveis aos trabalhadores. Além de contar com laboratório do sono, ambulâncias e sinalização de segurança, para evitar acidentes em suas dependências, a mineradora também fornece corretamente equipamentos de proteção individual aos funcionários.

A Assessoria de Imprensa da Mineração Paragominas informou que já adquiriu um equipamento minerador de superfície, que vai substituir o trator de esteira que hoje faz a escarificação. A empresa também anunciou que vai comprar outros equipamentos do gênero ainda este ano.

O minerador de superfície já está em fase de testes. Segundo a assessoria, o equipamento realiza várias etapas do trabalho de mineração ao mesmo tempo, como a escarificação e a lavra, eliminando aquela etapa do processo. Por enquanto, a empresa adotou um sistema de rodízio na atividade para evitar os incômodos dos funcionários.

A empresa, segundo a assessoria, também está disposta a adotar todas as medidas necessárias para melhorar cada vez mais as condições de trabalho de seus funcionários.

CARTÃO SUS – NÃO HÁ NECESSIDADE DE FILAS

Não nenhuma necessidade das pessoas irem aos Postos de Saúde pela madrugada para obter o Cartão SUS. Ele será feito continuamente e não tem prazo para ser finalizado o cadastro.
O Cartão Nacional de Saúde é um instrumento que possibilita a vinculação dos procedimentos executados no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) ao usuário, ao profissional que os realizou e também à unidade de saúde onde foram realizados. Para tanto, é necessária a construção de cadastros de usuários, de profissionais de saúde e de unidades de saúde. A partir desses cadastros, os usuários do SUS e os profissionais de saúde recebem um número nacional de identificação.

Mas não necessidade de filas, como explica a enfermeira Karina Altafim Figueiredo Pagotto, do DRAC, uma das responsáveis pelo Cartão SUS em Paragominas:

“Infelizmente há pessoas indo aos postos de saúde durante a madrugada, criando filas desnecessárias para fazer o CARTÃO e não há necessidade disso.

Queremos informar que o CARTÃO será feito nos postos continuamente, pois todas as consultas e procedimentos serão feitas mediante o CARTÃO, mas se a pessoa não possuir, um profissional do posto o fará. Se houver alguma emergência e alguém for encaminhado ao Hospital Municipal, lá também há um profissional para fazer o CARTÃO SUS”.

Em suma, não há necessidade de filas pela madrugada no postos. O CARTÃO será feito, em cada posto, no Hospital Municipal, TFD e Conselho Municipal de Saúde e, em casos de urgência, na própria Secretaria Municipal de Saúde.

Justiça Federal terá subseção em Paragominas


A partir de hoje o município de Paragominas, no nordeste paraense, passa a contar com uma subseção da Justiça Federal no Pará. Com competência geral e também de Juizado Especial Federal, a Vara Federal de Paragominas será a terceira subseção inaugurada este ano e a 18ª da Justiça Federal no Estado. E vai receber ações de 14 municípios, a maior parte deles ficava sob a jurisdição da subseção de Castanhal.

A Vara Única da Justiça Federal de Paragominas será localizada na avenida Portugal, bairro Módulo II, quadra 3, bloco 5. Além das demandas do município, também serão redirecionadas para lá os processos de Aurora do Pará, Cachoeira do Piriá, Capitão Poço, Dom Eliseu, Garrafão do Norte, Ipixuna do Pará, Irituia, Mãe do Rio, Nova Esperança do Piriá, Ourém, Santa Luzia do Pará, São Miguel do Guamá e Ulianópolis.

De acordo com o diretor do Fórum da Seção Judiciária Federal do Pará, o juiz Daniel Sobral, a nova vara – que terá a juíza Luciana Sayde Pereira como titular – começa com muito trabalho pela frente. Já foram identificados pelo menos de 4 a 5 mil processos de execução fiscal que serão remanejados para a nova subseção.

“Esta subseção será instalada em uma localidade nova, que ainda não tinha nenhuma vara da Justiça federal. E isso é importante porque aproxima a Justiça dos cidadãos. O morador de Paragominas que, por exemplo, tiver processos relacionados à Caixa Econômica Federal, com o Ministério Público Federal ou alguma autarquia federal, não precisará mais se deslocar até Castanhal, e mesmo até a capital, para resolver seu problema. Isso significa mais celeridade, mais economia de recursos e também mais acessos aos serviços”, afirmou Sobral, lembrando que é de praxe, que tão logo sejam inauguradas as varas da Justiça Federal, também sejam criados em breve nestes municípios, subseções de outras instituições como a do MPF, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), dentre outras.

Em 2010, o Conselho da Justiça Federal aprovou a instalação em todo o país de 230 varas federais criadas em 2009. Desse total, o Pará foi contemplado com mais 10 varas, três delas especializadas no julgamento de questões agrárias e ligadas ao meio ambiente, a serem implantadas até 2014. Além da capital, já foram instaladas novas varas em Santarém, Redenção, Marabá e agora Paragominas. Até o final do ano, será criada uma vara em Tucuruí, também de competência geral.

“Até 2009 tínhamos apenas 12 varas, das quais oito em Belém e uma nos municípios de Santarém, Marabá, Altamira e Castanhal. Agora vamos subir para 18 e teremos mais quatro até 2014. Ou seja, a Justiça Federal do Pará será formada por 22 varas, é como se fosse uma nova seção judiciária. Acredito que desta forma, não apenas os municípios que receberão esta nova subseção, mas todo o Estado, só tem a ganhar com esta interiorização”, afirmou.

23 de Março na História

1879: Conferência abolicionista do intelectual mestiço Vicente de Souza, no Rio de Janeiro.

1929: Greve de 72 dias dos gráficos de São Paulo, contra o trabalho infantil. A polícia paulista fecha o sindicato.

1945: Ato público no Rio de Janeiro em homenagem aos pracinhas da F.E.B. - Força Expedicionária Brasileira.

1946: Pedida no Tribunal Superior Eleitoral - T.S.E. a cassação do Partido Comunista do Brasil(PC do B), acusado de "organização a serviço de Moscou".

1979: Intervenção, por dois meses, nos sindicatos dos metalúrgicos do ABC, do Estado de São Paulo. Mas, a greve continua.

1994: Trabalhadores do Rio Grande do Sul, São Paulo e Salvador aderem à greve convocada pelas centrais sindicais CUT e CGT, em protesto contra o Plano Real.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Ministro das Comunicações Paulo Bernardo anuncia prioridades para 2012

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, anunciou nesta terça-feira (20) durante reunião na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara que entre as metas da pasta para 2012 está a de promover a consulta pública do anteprojeto de Lei Geral de Infraestrutura de Telecomunicações. 


E, ainda, realizar a primeira fase da consulta pública do novo Marco Regulatório das Comunicações Eletrônicas.
Na Lei Geral, a ideia é regular o tema em âmbito federal para orientar a legislação heterogênea dos municípios, que muitas vezes dificultam a implantação de infraestrutura de telecomunicações. No Marco Regulatório, a intenção é fazer perguntas a respeito de temas relacionados à radiodifusão e às telecomunicações, para regulamentar artigos da Constituição Federal e atualizar o arcabouço legal vigente.
Paulo Bernardo também afirmou que outro objetivo do ministério para este ano é licitar as faixas de 2,5 GHz e 3,5 GHz e a faixa de 450-470 MHz, que são necessárias para a implantação da telefonia móvel de quarta geração (4G) e para a expansão da banda larga ao meio rural. A Agência Nacional de Telefonia (Anatel) aprovou consulta pública dos editais no dia 19 de janeiro de 2012.
Segundo o ministro, a implantação da tecnologia 4G não vai impedir a expansão da telefonia 3G no País, pois as empresas deverão cumprir a obrigação de continuar investindo no crescimento da terceira geração. “Achamos necessário fazer o leilão da telefonia 4G, porque é importante para o Brasil ter disponível essa tecnologia”, argumentou Paulo Bernardo.
Outra meta anunciada para 2012 é garantir a infraestrutura de telecomunicações para os jogos da Copa do Mundo de 2014, por meio de investimentos da Telebrás e de medidas regulatórias. “Temos um entendimento do que temos que fazer, mas a Fifa sinaliza que temos que fazer mais coisas. Isso tem que ser resolvido. Apesar disso, não vejo caos algum, temos nossas obrigações e vamos cumpri-las todas. Vamos dar todas as condições de atender esse grande evento que é a Copa”, afirmou o ministro.
Mais prioridades – Paulo Bernardo explicou que já está em estudo uma medida para baratear os terminais móveis que acessam banda larga – os smartphones. Também há a intenção de implantar um operador único para a expansão da rede pública nacional de TV digital e de aumentar a capacidade de satélite para banda larga, inclusive em aplicações de defesa nacional. A meta é selecionar a empresa para lançamento do satélite ainda em 2012.
Fonte: PT na Câmara

quarta-feira, 21 de março de 2012

Mineradoras usam água de graça, e Pará perde 5 bilhões por ano

Siga: @AnaJuliaPT13  - Por Carlos Mendes - Foto de marcellotj. Mineroduto Paragominas - Barcarena.
O Pará está jogando fora uma fortuna que poderia reduzir seus índices africanos de pobreza. Ele deixa de arrecadar R$ 5 bilhões por ano com a exploração dos recursos hídricos por empresas mineradoras que atuam no estado. A cobrança, que não é taxa ou imposto, está prevista em lei, mas nunca foi feita. A omissão já dura mais de dez anos. As empresas usufruem de outorga gratuita e ainda gozam de renovação sistemática das licenças a cada dois anos. Se a cobrança fosse realizada hoje e as mineradoras tivessem de pagar tudo o que deixaram de recolher em mais de uma década, de acordo com especialistas consultados pelo Diário, o volume de recursos alcançaria entre 80 e 100 bilhões de reais, equivalente a quase duas vezes o Produto Interno Bruto (PIB) paraense. 

A Ordem dos Advogados do Brasil no Pará (OAB/PA) decidiu exigir do governo estadual que a cobrança seja feita. O presidente da Comissão de Meio Ambiente da OAB, Ismael Moraes, argumenta que se os insumos produzidos com a utilização da água são exportados com a desoneração de ICMS da Lei Kandir, não atendem o mercado interno – muito menos o local - e não são usados para a fabricação de componentes ou manufaturados aqui mesmo, ou seja, a valoração agregada se dá no exterior, “inexiste qualquer motivo para que as empresas que utilizam as águas paraenses sejam isentadas de pagamento como está ocorrendo há mais de uma década”. 

Moraes, em ofício enviado à Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), informou que a OAB quer fazer parte do Conselho de Recursos Hídricos do órgão para pressionar pela agilização da cobrança. O Conselho existe no papel, mas nunca funcionou. Hoje, somente o Ceará e São Paulo cobram pelo uso industrial da água. No Pará, a extração mineral é feita em todas as regiões do estado.
Como os rios e mananciais são de domínio exclusivo do Estado, compete a ele cobrar e utilizar os recursos. A Agência Nacional de Águas (ANA) tem atribuições quando se trata de rios do domínio da União. Os únicos que hoje são obrigados a pagar ao Estado são os pequenos consumidores. Também são os únicos que a Sema fiscaliza e autua caso cavem um poço artesiano no fundo do quintal sem obter a outorga do órgão. Quer dizer, o pequeno paga, mas o grande se beneficia da água, fatura bilhões e não deixa um centavo aos cofres públicos. 

As indústrias, segundo especialistas ouvidos pelo Diário, consomem a média de 3,5 bilhões de litros de água no processamento de uso estático dos minerais. As refinarias de alumina, por exemplo, utilizam significativa quantidade de água para lavar a solução de dióxido de alumínio e soda cáustica. Os gastos de água também são grandes no resfriamento dos lingotes de alumínio. Mas é no transporte de bauxita e caulim pelos minerodutos que o consumo de água é astronômico. Além de não cobrar, o estado não possui qualquer controle sobre o que é consumido pelas mineradoras. 

Comunidades - Técnicos que atuam nos projetos estimam, com base nas centenas de milhões de metros cúbicos de água utilizados nas indústrias minerais, multiplicadas por apenas 30% do valor cobrado pela Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) do consumidor doméstico, que o estado perca mais R$ 800 milhões apenas com o mineroduto de 244 quilômetros da empresa norueguesa Norsk Hydro, que leva bauxita de Paragominas, no leste do estado, para Barcarena, polo industrial localizado às proximidades de Belém. A Hydro, sócia da Vale no projeto, mas com capital majoritário, é a terceira maior fornecedora mundial de alumínio. 

Há ainda projetos como a da mineração Rio do Norte, em Oriximiná, da Alcoa, em Juruti, além do complexo de alumínio Albrás-Alunorte, em Barcarena, que utilizam colossal volume de água. Só aí são mais de R$ 4 bilhões que deixam de ser cobrados pelo estado. É dinheiro que poderia ser investido na melhoria da qualidade de vida de dezenas de milhares de famílias que vivem nas comunidades onde estão localizadas as bacias hidrográficas e mananciais que servem aos projetos.

É princípio fundamental da política estadual de recursos hídricos, conforme previsto na resolução nº 3 de 2008, que dispõe sobre a outorga pelo uso da água, “promover o uso racional dos recursos hídricos, conjuntamente ao desenvolvimento social, tecnológico e econômico, no estado do Pará, gerando melhorias na qualidade de vida e equilíbrio com o meio ambiente, bases fundamentais para o desenvolvimento sustentável”.
Até agora, pelo que se vê, isso é mera ficção. (FIM) 

EMPRESAS DIZEM CUMPRIR A LEI E GOVERNADOR NÃO FALA

O diretor do Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral), José Fernando Júnior, afirma que o setor cumpre o que determina a legislação vigente. Ele confirmou que as mineradoras são licenciadas pela Sema e que elas não pagam pela exploração da água. “Nós somos autorizados pelo órgão ambiental, que concede a outorga e faz a renovação a cada dois anos”.

Fernando Júnior disse que as empresas não iriam entrar no mérito da questão que envolve a cobrança pelo governo estadual. E foi taxativo: “a Sema é quem concede essa licença. Se algum dia mudar a legislação, teremos de nos adequar a essa mudança". Sobre o valor de R$ 800 milhões que estaria deixando de ser cobrado somente pela utilização da água no mineroduto de Paragominas, o diretor preferiu não entrar em detalhes, enfatizando que as empresas “cumprem a lei”.

O governador Simão Jatene não quis falar, embora tivesse recebido por e-mail algumas perguntas e fosse questionado sobre o motivo de o Pará, por sucessivos governos, abrir mão de uma expressiva fonte de recursos que poderiam ser usados para melhorar a saúde, a educação e as estradas do estado, que enfrentam graves problemas. O secretário da Sema, José Colares, também foi procurado por diversas vezes e não se manifestou.

Justiça - Jatene tenta cobrar das mineradoras R$ 6 por cada tonelada de minério extraída do solo paraense e exportada. A cobrança, na forma de taxa criada no ano passado pelo Estado e aprovada pela base aliada do governo na Assembleia Legislativa, deve começar a ser feita a partir de abril.
As mineradoras não querem pagar e já acionaram seus advogados para derrubar a taxa no Supremo Tribunal Federal, alegando que ela é inconstitucional. Minas Gerais e Bahia, que ensaiaram a cobrança, perderam a questão no STF. (FIM)

ESTADO NÃO SE ORGANIZOU PARA ARRECADAR RECURSOS

A lei da política nacional de meio ambiente garante aos estados a cobrança pela exploração das águas dos rios, subterrâneas e mananciais. Há duas formas de cobrança, a de poluidores pagadores e a dos usuários pagadores. As mineradoras estão incluídas no segundo grupo, previsto no artigo 4o, do inciso VII da lei federal. Mas a lei estadual 6.381/2001, que regulamentou a federal, ainda depende de organização administrativa da Sema para que a cobrança das indústrias seja feita.

Segundo o advogado Ismael Moraes, o secretário José Colares informou a ele que os comitês de bacias hidrográficas, passo importante para se chegar à definição de objetivos, inclusive os valores a ser cobrados das mineradoras, sequer foram ainda constituídos.
Moraes mostrou ao Diário o ofício que enviou ao secretário, em fevereiro passado. Ainda não obteve resposta. Colares disse a ele, por telefone, que os setores técnico e jurídico da Sema estão estudando o caso para enviar as informações à OAB. Ela quer cópias de todos os processos de outorga, em todas as etapas, para utilização da água pelo mineroduto da Hydro.

Movimento - Com base nas informações que forem fornecidas, a OAB pretende convidar a sociedade civil, o Ministério Público e os municípios cortados pelo mineroduto, assim como o governo estadual, para discutir as formas de obrigar as grandes mineradoras a pagar pela água. “Esse será apenas o inicio de um movimento pelo qual iremos discutir todos os empreendimentos que deveriam gerar recursos e ser aplicados nas comunidades, o que não está ocorrendo”, resumiu o advogado.

A diretora de Recursos Hídricos da Sema, Verônica Bittencourt, disse que a cobrança pelo uso dos recursos hídricos é um dos instrumentos previstos na política nacional de recursos hídricos (lei 9.433/1997) e na política estadual de recursos hídricos, (lei 6381/2001) e compete aos comitês de bacias hidrográficas estabelecer os mecanismos de cobrança pelo uso desses recursos. De acordo com ela, os valores a serem cobrados serão aplicados prioritariamente na bacia hidrográfica em que foram gerados. Como o Pará ainda não possui nenhum comitê de bacia instituído, apesar de vir trabalhando por meio da diretoria de Recursos Hídricos, criada em 2007, na capacitação e fomento à criação de comitês de bacia, Verônica observa que “não é possível ainda implementar a cobrança conforme previsto na legislação”.

INFOGRÁFICO

1- Especialistas calculam que o Pará deixou de arrecadar entre 80 e 100 bilhões de reais em mais de dez anos de utilização da água pelas empresas mineradoras em suas indústrias. Isso equivale a quase duas vezes o Produto Interno Bruto (PIB) do estado.

2- Apenas no Platô Miltônia 3, na região do mineroduto de Paragominas, o maior do mundo com 244 km de extensão, a água utilizada equivale a 3,4 milhões de litros por hora.

3- No mineroduto, o processo de utilização compreende água bruta para o beneficiamento da bauxita cristalizada, água bruta para a área do próprio mineroduto, água potável e água de combate a incêndios.

4 – A bauxita, adicionada a água, é empurrada em forma de polpa úmida pela tubulação de um metro de diâmetro até a Alunorte, em Barcarena, atravessando sete municípios. Cinco bombas com 13.200 cavalos de força de potência ajudam no processo.

5- Quando chega a Barcarena, a bauxita passa pelo “desaguamento”. Ou seja, o excesso de água na polpa é filtrado. A água expelida é depois reaproveitada.

6 – A lei prevê a cobrança pela utilização de recursos hídricos pelas indústrias, incluindo as de mineração, mas no país somente o Ceará e São Paulo usufruem do benefício.

terça-feira, 20 de março de 2012

Inscrições para a “Peneira” do PFC começou ontem

Começaram ontem as inscrições para a “Peneira” do Paragominas Futebol Clube que vai selecionar atletas de 17 a 21 anos de idade para a disputa da Segundinha do Parazão 2012.

Segundo o presidente Jorge Formiga, ontem mesmo vários atletas procuraram a sede do Clube para fazer as suas inscrições. O valor da taxa de inscrição é de apenas R$ 20,00 e os atletas devem estar com todos os documentos, além de Atestado Médico. No caso de menor idade, devem ir acompanhado pelos seus responsáveis.

A Sede do Paragominas Futebol Clube já está funcionando no estádio Arena do Município Verde, Sala 01, no horário comercial.

A seletiva começa no dia 02 de abril, segunda-feira, já com a orientação do técnico Fran Costa que chega em Paragominas no domingo e neste mesmo dia se reúne com a diretoria para definir planos e metas de trabalho de sua equipe.

Traficante preso em flagrante no final de semana

As polícias Civil e Militar estão trabalhando de forma intensificada para prender traficantes e apreender a maior quantidade de drogas possível na cidade e na zona rural, com o intuito de fazer valer o pacto contra as drogas, deflagrado na sexta-feira passada em Paragominas.
Por isso, grande parte da lista de pessoas que estão sendo monitoradas, algumas já começaram a ser ‘visitadas’ pelas polícias. A ordem é não deixar ninguém traficar. E foi com este intuito que foi preso neste final de semana o traficante Jonhy Timóteo Ribeiro, que comercializava drogas ilícitas no bairro Láercio Cabeline, que além de grande quantidade de drogas, estava portando também um revólver calibre 38, com oito munições intactas.

Acidente mata mais uma pessoa em Paragominas


O jovem Olival de Oliveira Pereira, que trabalhava em uma loja de materiais de construção na Avenida Presidente Vargas, foi a mais recente vítima fatal de acidente de trânsito em Paragominas. O carro em que ele estava, uma caminhonete, chocou-se violentamente contra outra caminhonete, na entrada da estrada da Colônia Caip, há poucos metros da Rodovia PA 125.
Outro rapaz que estava com Olival no momento do acidente ficou gravemente ferido e foi encaminhado para o Hospital Metropolitano de Ananindeua. O acidente aconteceu na manhã de ontem, por volta das 9 horas e chamou a atenção de muitos curiosos que correram para o local depois que ouviram o barulho das latarias dos veículos sendo destruídas.

A perícia foi ao local e dentro de poucos dias deverá liberar o laudo para constatar quem estava com a razão no momento do acidente. A estrada é de piçarra e cheia de muitas curvas. O perímetro onde aconteceu o acidente é íngreme e estreito o que exige atenção e perícia por parte de condutores de veículos que trafegam por ali todos os dias.

Pará é líder em condições precárias de saneamento básico


O Pará encabeça a lista entre os Estados da região Norte, onde 5.251 crianças e jovens entre 0 e 17 anos vivem em condições inadequadas de saneamento, segundo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. São 2.629 pessoas nessas condições no Pará, seguido pelo Amazonas com 1.120. Elas se enquadram nas situações descritas pelo relatório ‘O Estado das Crianças do Mundo de 2012: Crianças no Mundo Urbano’, divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância e Juventude (Unicef) sobre experiências de pobreza e exclusão vividas por bilhões de crianças e jovens em todo o mundo. Ainda segundo o IBGE, 11,42 milhões de pessoas vivem em favelas, palafitas ou outros tipos de assentamentos irregulares no Brasil.

Na Cabanagem, um dos bairros mais violentos da capital, não é difícil encontrar situações como as retratadas pelo relatório de 141 páginas. A doméstica Francinete Maia divide a casa de madeira, construída pelo marido em uma área de invasão, com outras oito pessoas, três delas entre 1 e 5 anos. Não há creches ou escolas de ensino infantil, nem pavimentação ou saneamento, mas ela só reclama da falta de lazer para os netos. Conseguimos, com sacrifício, pagar uma escolinha particular. O problema maior é a violência e não ter para onde levá-los para passear. Aqui não tem praça. No final da tarde, eles se arrumam e não têm para onde ir. “Não podem ficar na porta, porque é perigoso, e nem tem outro lugar para sair”, reclama a doméstica, cuja renda familiar não excede três salários mínimos por mês. ‘O único lugar onde eles ainda vão passear é em um supermercado que inaugurou aqui próximo há pouco tempo. Mas não dá pra ir sempre’, diz.

Na Terra Firme, célebre pelos altos índices de violência, uma adolescente de 16 anos mora em uma casa de madeira na avenida Perimetral, com outras seis pessoas. Na residência de dois andares praticamente não há móveis. O banheiro fica do lado de fora e a situação é de vulnerabilidade total. Estudante da 8ª série do ensino fundamental, ela anda cerca de três quilômetros todos os dias para chegar à escola e diz ‘sentir falta’ de alguns serviços no bairro. ‘Gostaria que a minha escola fosse mais perto, porque as aulas começam às 13h30 e o sol está forte nesse horário. Além disso, aqui é muito perigoso, não podemos sair à noite, não há biblioteca pública, nem locais de acesso gratuito à internet. Quando preciso fazer um trabalho para a escola, tenho de pagar um cyber, mas nem sempre tenho dinheiro’, conta ela, ao relatar que dificilmente sai de casa à noite.

Adolescentes falam da carência vivida

A estudante Ana Carla Novaes, 18 anos, segura no colo a filha Sofia, de quatro meses, e reclama do que falta no bairro da Terra Firme. ‘São poucas as escolas públicas, não há creche e o posto de saúde deixa muito a desejar’, afirma. Ela reclama da irregularidade do serviço de água. ‘Falta água praticamente todos os dias’, diz a adolescente.

No Guamá, um dos mais populosos da cidade, a dona de casa Maria Socorro Mesquita, 50 anos, mora na Alameda Belém, na Avenida Bernardo Sayão, e espera ansiosa pelas obras de saneamento prometidas pela Prefeitura. Na pequena casa de alvenaria onde mora com a filha, o genro e a neta Yasmim, de 1 ano e 4 meses, a vila enche quando chove e ela teve de subir o batente para a água não invadir. ‘Por isso espero que com essas obras, isso acabe’, diz ela, que reclama da falta de escolas de ensino fundamental e médio e de unidades de saúde e da violência. ‘Se quiser passear com a minha neta, tenho que ir para a Praça Batista Campos, porque aqui não tem praças, além disso, é perigoso. Para viver melhor, teria ainda que melhorar o saneamento básico e o fornecimento de água’, diz.

Crescimento populacional foi mais veloz

O coordenador do escritório do Unicef, em Belém, Fábio Atanasio de Morais, credita os problemas enfrentados pelas crianças e adolescentes de famílias pobres no Brasil é atribuído ao acelerado processo de urbanização, superior a 70% nos últimos 30 anos, enquanto a oferta de saneamento básico e ambiental, como o controle de pragas como a dengue e outros equipamentos urbanos, incluindo saúde e educação, não acompanhou esse crescimento, diz ele, ao defender ações políticas eficientes e atenção adequada a crianças e adolescentes. ‘Existem questões que precisam ser resolvidas de pronto, como a educação e a saúde. É fundamental também que os gestores públicos comecem a pensar a cidade do ponto de vista da prioridade absoluta, que são as crianças. Para isso, é importante estabelecer diálogo com a sociedade civil organizada’, afirma.

O especialista Abid Aslam, que participou das pesquisas para a elaboração do relatório e se manifestou em comunicado divulgado pelo site do Unicef, diz que há mais crianças nascidas nas cidades e os serviços de saneamento e saúde, por exemplo, não acompanham essa nova realidade.

Aslam cita as favelas no Quênia e no Brasil como exemplos de locais onde se vivencia essas situações de forma mais evidente. Para ele, a inserção dessas populações nos ambientes urbanos, sem infraestrutura adequada, leva ao aumento da violência e à ausência de itens básicos, como água potável e educação. ‘Eles (os moradores das favelas e outras regiões sem infraestrutura) não sabem, mas muitas vezes, de uma semana para a outra, de um mês para o outro, de um ano para o outro, estão vivendo cada vez com menos qualidade de vida, pois não têm condições de ir para escola nem água potável’, disse Aslam.

O que prega a Unicef – Direitos da criança no ambiente urbano, de acordo com instrumentos internacionais de direitos humanos, como a Convenção sobre os Direitos da Criança:

- Sobrevivência;
- Pleno desenvolvimento;
- Proteção contra abusos, exploração e discriminação;
- Plena participação na vida familiar, cultural e social.
- O Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (UN-Habitat) define uma habitação de favela como aquela na qual não há uma ou mais das condições a seguir:
- Acesso a fontes adequadas de água limpa. Quantidade adequada a custo viável e que pode ser obtida sem demandar esforço físico e tempo excessivos.
- Acesso a saneamento adequado. Acesso a sistema de eliminação de dejetos – na forma de banheiro privado ou banheiro público compartilhado por um número razoável de pessoas.
- Segurança de posse. Evidências ou documentação provando status de segurança de posse ou como proteção contra expulsão.
- Durabilidade da habitação. Estrutura permanente ou adequada em localização livre de riscos, que proteja seus habitantes de condições climáticas extremas, tais como chuva, calor, frio ou umidade.
- Área adequada para convivência. Não mais de três pessoas compartilhando o mesmo cômodo.